Na terra do nunca

24 Fevereiro 2016 | Política
Em Portugal, nunca tivemos a oportunidade de ver a democracia a funcionar em pleno. Há sempre uma sede de poder maior que os interesses do país.
Se houvesse um referendo em que pudéssemos escolher um governo estável, de compromisso, com as maiores forças políticas unidas eu votaria sim. E se houvesse uma manifestação organizada eu estaria presente.
Não é pecado gostarmos de ver o país unido em torno de um objetivo. Há quem lhe chame salvação nacional, mas eu prefiro interesse nacional.
Também penso que nenhum partido ficaria a perder com esta união, muito pelo contrário.
Apesar de serem situações distintas, é possível vermos em vários países as principais forças políticas unidas para formar governo. O último exemplo vem mesmo da Alemanha.
Às vezes parece que os partidos portugueses têm mesmo um acordo eterno para se alternarem no poder. São vários os exemplos de governos desastrosos (principalmente na segunda legislatura) e de roubo indecente e descarado porque já sabem que a seguir, na quadratura do círculo, o poder vai para outro.
Já chega! Basta! Já não aguento estes "joguinhos" políticos!
Se é necessário termos partidos para haver democracia, então que haja democracia e que se eleve o país e não as bases.
Continuamos fiéis aos dizeres ancestrais: não se governam nem se deixam governar.
Há ainda outros casos, como a Noruega, que é comummente aceite como um modelo de desenvolvimento económico e social, onde em eleições recentes a oposição ganhou. É tão simples quanto isto: os partidos podem governar e alternar no poder democráticamente, mesmo em cenários de riqueza e franco desenvolvimento. É verdade, é possível.
Parece que em Portugal o mais natural é impossível, o mais fácil é difícil, o mais normal é antiquado.
Parece que NUNCA conseguimos atingir aquele objetivo.
Mas na terra dos sonhos podes ser quem tu és e ninguém te leva a mal. E Portugal pode ser e acreditem que ninguém vai levar a mal.
Adeus corrupção! Adeus demagogia!