A queda do império

27 Dezembro 2014 | Economia

A tranquilidade esconde a paz podre do espírito. Na elite opaca dos sonhos, todos mandam e exigem mas ninguém de facto ilumina.

Num ano em que lembramos o centenário do início da primeira grande guerra mundial, as convulsões parecem assumir contornos mais graves a cada dia que passa.

Nem as imagens incríveis da Terra disponibilizadas pela NASA parecem acalmar a guerra dos tronos.

E é de poder que se fala. Poder.

Assistimos, admirados e confrangedoramente serenos, à passagem dos acontecimentos numa era de informação constante, relatada ao segundo, que nos coloca a todo o instante no centro do mundo.

Parece que o precipício é já ali mas não há limites para as quedas. Talvez a única solução seja suspender a informação para evitar uma derrocada fatal.

É bom saber mas também é bom regressar ao básico e simplesmente não estar informado. Não precisamos de cada pormenor, de cada fração da realidade. Estupidamente o que desejamos é a morte lenta, o sofrimento lento, o sentimento de desgraça, em cada palavra um lamento, em cada mudança uma crise.

Precisamos de compreender que a construção é lenta, feita de desvios, de decisões marcantes e às vezes contraditórias, mas necessárias para a organização da mentalidade e do sistema sociológico.

Já chega de branqueamentos, de corrupção da memória e arquivamentos da inteligência.

Estamos na era da desinformação. O Poder de desinformar. Por isso colocamos em causa tudo o nos é dito, imaginando logo o cenário da cabala ou do polvo manietado.

A Commonwealth existe. A CPLP não.

Os EUA existem. A UE…ainda não.

A democracia existe. Mas ainda não amadureceu.

Os conglomerados existem. Mas não deviam existir…